CENÁRIO
Os negócios da empresa no ano de 2009 foram severamente influenciados pela concomitância de dois eventos desfavoráveis: a crise financeira global iniciada ao final de 2008 e o início do ciclo usual de baixa da indústria petroquímica posterior a grandes investimentos expansionistas no setor.
A crise financeira foi atacada imediata e coordenadamente pelos governos centrais de todos os países por políticas públicas de socorro as entidades financeiras com problemas na qualidade de seus ativos e aumento da liquidez geral dos mercados através de maciças liberações de dinheiro público. Estas medidas progressivamente recuperaram a confiança dos agentes econômicos e a partir do segundo trimestre os negócios iniciaram alguma recuperação.
A economia brasileira, em especial, por força de políticas públicas de desoneração tributária transitória e estímulos à expansão do credito, conseguiu agregar novos consumidores ao mercado e preservar o poder de compra dos demais e em conseqüência o mercado interno manteve-se relativamente aquecido, compensando em parte a retração nos investimentos e a queda das exportações de bens industrializados.
A indústria de produtos químicos de uso industrial, cuja base de comparação de 2008 é baixa em decorrência das paradas para manutenção programada das principais centrais de matérias-primas, encerrou 2009 com expansão de 3,5%, em volume físico, mas à custa de preços 21,8% inferiores e margens comprimidas prejudicando a rentabilidade das empresas do setor.
O preço médio da Nafta Petroquímica no mercado mundial, matéria-prima básica e com forte influência nos preços dos produtos finais desta indústria, foi, em 2009, 35% menor que o de 2008 (US$ 524 e US$ 807). Esta expressiva queda de preço foi transmitida para todos os produtos da cadeia petroquímica, preços estes validados então pelos excedentes de produção nos mercados globais, duramente afetados pela crise financeira e pelo ciclo usual de baixa.
Os preços em Reais dos petroquímicos no mercado brasileiro tiveram uma queda relativa maior ainda, pois além de terem como referência os baixos preços internacionais foram, em adição, impactados negativamente pela forte valorização do Real em relação ao Dólar.
OPERAÇÕES DA EMPRESA
Confirmando a recuperação da economia brasileira frente à crise global, a expedição física total dos produtos Elekeiroz de 422,6 mil t em 2009 foi apenas 6,4% menor que a do ano anterior. A evolução das expedições ao longo de 2009 foi de nítida recuperação e de aproximação aos volumes expedidos no período pré-crise, pois enquanto no 1º trimestre as expedições caíram 32,1%, no 4º trimestre foram 41,2% superiores, respectivamente, aos períodos equivalentes de 2008.
O mercado interno continuou sendo o principal destino das vendas da empresa, absorvendo 90% das expedições totais (92% em 2008). As participações dos produtos orgânicos e inorgânicos na venda total em 2009, respectivamente de 51% e 49%, foram semelhantes as do ano anterior. As exportações foram como de praxe, apenas de produtos orgânicos.
DESEMPENHO NO PERÍODO
A empresa, em particular, teve como evento extraordinário logo ao final do primeiro trimestre, um expressivo ajuste no valor dos estoques, decorrente principalmente da forte desvalorização do enxofre no mercado internacional, sua matéria-prima essencial para a fabricação dos produtos inorgânicos, que prejudicou seu desempenho em todo o exercício social. Foram lançados diretamente na conta de resultados R$ 43,4 milhões de perdas nos estoques, antes dos efeitos fiscais.
No 1º trimestre de 2009 a Receita Bruta de R$ 159,8 milhões recuou 44,3% em relação a igual período de 2008, mas, já no 4º trimestre a Receita Bruta de R$ 192,8 milhões apresentava queda de apenas 10% em relação ao período equivalente do ano anterior, demonstrando forte recuperação.
Todavia, considerado todo o ano de 2009, a Receita Bruta de R$ 712,8 milhões e a Líquida de R$ 571,2 milhões recuaram 35% na comparação com os respectivos valores de 2008, reflexo da importante queda de preços ocorrida no mercado internacional e da apreciação do Real frente ao Dólar, prejudicando os resultados do exercício.
Assim houve Prejuízo Operacional antes da Equivalência Patrimonial, no exercício, de R$ 21,5 milhões em 2009, contra um Lucro de R$ 105,5 milhões no ano anterior. O efeito combinado de tal resultado com o da provisão de imposto de renda ativa sobre prejuízos fiscais, no limite de sua potencial recuperação em futuro imediato, resultou em Lucro Líquido final de R$ 3,8 milhões (R$ 81,2 milhões em 2008) e um EBITDA ligeiramente negativo de R$ 0,4 milhão (R$ 126,2 milhões positivos em 2008).
GESTÃO ESTRATÉGICA, SUSTENTABILIDADE E GESTÃO AMBIENTAL
Os investimentos em 2009 foram substancialmente reduzidos desde o início da crise financeira, limitando-se no ano a R$ 16,9 milhões. Com exceção dos gastos para a conclusão da ampliação da produção de Plastificantes em Várzea Paulista, que aumentou em 14% a capacidade total da empresa neste produto, e que estava em posição de não retorno, todos os recursos foram alocados na manutenção das instalações existentes, na segurança dos colaboradores da empresa e na preservação do meio ambiente.
Em 2009 a Elekeiroz destacou-se pelo recebimento de Menção Honrosa na 15ª edição do Prêmio FIESP de Mérito Ambiental. A premiação recebida foi pela ação específica no Anidrido Ftálico de Várzea Paulista – SP que permitiu a redução: das emissões de gases de efeito estufa e dos consumos unitários de energia, água e matérias-primas. Este trabalho foi apresentado na Mostra FIESP / CIESP de Responsabilidade Social-Ambiental realizada em agosto.
Apesar da crise, tiveram continuidade os programas internos e especiais de sustentabilidade a longo prazo. As comissões específicas de funcionários, orientadas para redução do consumo de água, energia, de geração de efluentes e para a reciclagem sistemática de materiais continuaram normalmente seus trabalhos.
A
empresa é signatária do Programa de Atuação Responsável criado pelo
International Council of Chemical Associations, administrado no Brasil pela
ABIQUIM – Associação Brasileira da Indústria Química.
RECURSOS HUMANOS
Ao final de dezembro a Elekeiroz contava com 683 colaboradores. Em salários, encargos sociais, alimentação no trabalho, cestas básicas, transporte, assistência médica, seguros, plano de aposentadoria complementar e treinamento (44.335 horas) foram desembolsados R$ 58 milhões em 2009.
DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS
O Conselho de Administração da Companhia reunido em 22 de dezembro de 2009 deliberou, ad referendum da Assembléia Geral dos Acionistas, a distribuição de um total de R$ 1,6 milhão em dividendos na forma de juros sobre o capital próprio, no valor bruto de R$ 0,05082 por ação. O valor líquido do imposto de renda na fonte do total dos dividendos declarados, de R$ 0,04319 por ação, equivale à distribuição de 37% do lucro liquido base para o cálculo, no exercício de 2009.
INSTRUÇÃO CVM 381
A BDO Auditores Independentes realizou apenas serviços de auditoria para a Companhia durante todo o exercício de 2009.
AGRADECIMENTOS
Os Administradores agradecem aos acionistas e aos colaboradores, clientes, fornecedores e instituições financeiras, pela confiança demonstrada e pelo alinhamento dos esforços no sentido de superação dos novos desafios que se apresentaram em 2009 a partir do novo quadro econômico global.